Artigo: Coleção de música agora é infinita

 

Dei um CD para minha bolsista de 22 anos. Ela olhou para aquela caixinha de acrílico e falou: “Que legal, meu primeiro CD”. Foi assim, por meio da música, que a velhice bateu. No meu tempo, eu ouvia vinil. Quando fiz 13 anos, ganhei meu primeiro walkman, que tocava fita cassete. E isso foi maravilhoso porque a gente podia gravar o que queria. O vinil, claro, era só para ouvir. Depois foi a hora — curta — do minidisc. O CD chegou no fim dos anos 80. Era 1997 quando fui apresentada ao MP3. Foi uma descoberta muito interessante, porque sempre fui fã de música. Tive até uma banda no Brasil, pela gravadora Midsummer Madness.O MP3 me ajudou a conhecer mais música, porque as pessoas podem baixar de qualquer servidor sem pagar, pelo BitTorrent, ou pagando, por meio de serviços como o Rhapsody. Podem também apenas escutar seus artistas favoritos, no Pandora ou na Last.fm, por exemplo. E para quem gosta de gravar rádio tem ainda o Dar.fm.

 

Com o cloud computing, qualquer tipo de arquivo eletrônico pode ser guardado fora do seu disco rígido. Para música, isso significa que você não precisa mais ter arquivos de MP3 no seu computador. Sua coleção invejável está guardada em serviços como o da Amazon, do Google ou da Apple.

Usar a computação em nuvem para acessar música é um fenômeno mais interessante do que a descoberta do MP3, porque é a síntese do acesso instantâneo. Antes, tínhamos de procurar, comprar e/ou baixar. Agora, qualquer música ou artista que você quiser acessar está ali, na palma da sua mão, como parte de um catálogo infinito.

Todas as músicas do mundo, ao mesmo tempo e agora. Mudaram não só o modo de descobrir músicas, como também a maneira de ouvir, compartilhar e até mesmo de criar sons e melodias.

Saudade das capas

Antes eu conhecia mais a banda e seu catálogo. Agora, porque uso o Spotify, o Rdio e o MOG, navego nas músicas de que gosto sem conhecer o artista. Se gostar de mais uma música da mesma banda, além de conferir a banda, também clico no link para ver mais artistas parecidos. Ainda não sei se esse comportamento é bom ou ruim, mas uma coisa é certa: ouço muito mais música do que antes. Outra coisa que mudou bastante foi a maneira de compartilhar. Para mim, aconteceu assim: antes um grupo de amigos se reunia para escutar vinil, fita, CD, iPod. Até então, todo mundo estava junto, no mesmo fuso horário e no mesmo lugar. Mas com serviços como o Turntable, as pessoas podem curtir juntas músicas em lugares e horários completamente diferentes.

E para os artistas, o que mudou? O assunto é longo, por isso vai ficar para uma outra coluna. É interessante ver como as bandas estão inventando meios criativos de ganhar dinheiro e até mesmo de se expressar. Confiram o novo projeto da Björk, chamado Biophilia, em que cada música tem um aplicativo diferente para o iPhone e o iPad.

A música na nuvem ainda vai evoluir e tenho certeza de que muitas coisas interessantes acontecerão por causa disso. Mas aqui vai uma reclamação de velha: por que todo mundo só escuta música sozinho no iPhone? O que aconteceu com ouvir música superalta em casa? E o pior, vocês não têm saudade de ver a capa dos discos? Eu tenho.

 

 

Fonte:http://info.abril.com.br/noticias/tecnologia-pessoal/artigo-colecao-de-musica-agora-e-infinita-13092011-11.shl

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